Faltam poucos dias para as eleições que definirão os rumos do país. No domingo (4), o Brasil vai às urnas para escolher os governos federal e estaduais e seus representantes nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado. Há muita coisa em jogo, incluindo a própria democracia. Mas há também uma oportunidade concreta de fazer do voto uma ferramenta de transformação.
É no Congresso Nacional, por exemplo, que se decide se o Brasil vai avançar na regulamentação da maconha. É ali que se desenham as leis que podem estabelecer as regras de um mercado regulado, definir o que será permitido ou criminalizado e estabelecer as respostas do Estado à produção, à comercialização e ao uso de substâncias. Os deputados estaduais, por sua vez, podem atuar em áreas que cruzam a política de drogas, como saúde, sistema penitenciário e segurança pública.
Essa escolha importa. A composição do Legislativo determina quem terá poder para propor, aprovar ou barrar medidas capazes de mudar, para o bem ou para o mal, os rumos da política de drogas nos próximos quatro anos.
Já o Executivo, neste contexto, tem papel igualmente decisivo. É o governo federal que conduz a administração pública, define prioridades, implementa políticas por meio de seus ministérios e órgãos e participa diretamente do processo legislativo, propondo projetos, sancionando ou vetando leis aprovadas pelo Congresso.
Nos estados, o governador comanda a administração estadual, à qual estão subordinadas as polícias Civil, Militar e Penal, além da rede estadual de saúde pública. Na prática, suas escolhas ajudam a definir se a política de drogas será tratada prioritariamente como questão de repressão e segurança ou como tema de saúde, cuidado e direitos.
E, mais uma vez, essa escolha importa.
Votar com consciência é levar em conta a importância da representação de lutas legítimas das ruas nos espaços de decisão. É pesquisar candidaturas, ler propostas, fazer perguntas, comparar projetos e exercitar senso crítico diante do que cada caminho representa para o país. E se perguntar: que caminho eu quero?
O Brasil dos próximos anos será resultado das escolhas feitas nas urnas. Se queremos uma sociedade mais humana, próspera, justa e igualitária, precisamos tratar o voto com a responsabilidade que ele exige, conhecendo quem disputa esses espaços, compreendendo o que cada projeto propõe e fazendo escolhas conscientes sobre o futuro que queremos construir como nação.
Sei que grandes transformações não ocorrem da noite para o dia, nem de um governo para outro. Então, na segunda-feira pós-eleição, nossa luta continua nas ruas, nos tribunais, nas associações, nos movimentos e em todos os espaços onde direitos são disputados e mudanças são construídas. Mas o terreno sobre o qual essa luta seguirá sendo travada começa a ser definido no domingo.
Pense nisso na hora de apertar o verde.












