Nos dias 15 e 16 de agosto aconteceu mais um grande evento de maconha em São Paulo. Já adianto que não irei fazer comparações com outros eventos. Falarei somente da Head Grow.
Alguém anotou a placa? Escrevo esse texto voltando para casa. Ainda me recuperando desse final de semana. Cerveja, maconha, amigos, palestras, shows, arborização… Que delícia de ambiente.
Ouvi boatos de que a feira estava vazia. Já vou começar desmentindo essas falácias. Absolutamente lotada. As imagens que circularam pela internet, foi de uma imagem aérea do domingo, que fez 32º, provavelmente da parte da manhã.
Além disso, domingão o pessoal almoça com a família, acorda um pouco mais tarde. Quem foi, absolutamente viu o evento lotado. Aquele pôr do sol lindo no anoitecer domingueiro, com shows do Sain + Leall e Mato Seco. Lotado. Fim da polêmica.
A parte mais legal, para mim, foi das palestras. Quanta coisa bacana foi dita. Quantas pessoas inteligentes passaram por lá. Quanta diversidade tivemos. Eu falei no domingo, junto do Makana, Fabelos, Gustavo Tampa e Elif, mas esse texto não é sobre mim. De toda forma, deixo aqui o agradecimento mais uma vez pelo convite.
Como destaque, no meio de tantas palestras boas, vou mencionar a palestra da Paulinha, da Accura. De forma brilhante, elucidou muitas questões sobre o associativismo no Brasil. Uma linguagem clara e precisa. Paulinha disse que fica nervosa falando em público. Não parece. Domina o assunto de ponta a ponta.
Também, não posso deixar de citar o Fabelos, que resumidamente, disse que está geral comendo a fatia do bolo e ele, influenciador de maconha preto e periférico, não está comendo essa fatia. Tanto que ele faz publicidade de outras marcas de fora do mercado da ganja para pagar as contas.
A feira não é gigante, falando de espaço, mas eu gosto assim. Achei o tamanho ideal. Não é pequena, mas também não é exagerada. Dá pra visitar todos os stands.
Falando sobre os stands, achei a variedade ótima. Cultivo, associação, acessórios, militância, alimentação, vestuário e mais outras tantas coisas que não lembro. Visitei quase todos. Quase, porque no meio das andanças você encontra os amigos que não via faz tempo, “fumaceia” o ambiente, toma uma cerveja gelada e depois toma outro rumo. Inclusive, que cerveja boa aquela da Head Grow, hein? Acertaram em cheio.
A feira me pareceu preocupada com representatividade das minorias. Isso me ganha. Me ganha mesmo. Muitas mulheres, homens e mulheres pretos e pretas e pessoas que pertencem a comunidade LGBTQIAPN+. Palestras discutindo racialidade e reparação histórica.
Seguindo, os shows também foram um grande ponto alto. Eu escuto muito rap, meu gênero favorito. Me acabei no Sain + Leall. Me senti em casa. Parecia que estava no Rio de Janeiro. Me transportou para um lado afetivo, que são as ruas e noites cariocas. Desculpa, São Paulo, gosto de você, mas o meu RJ é o RJ.
A Expo Head Grow nos ensina que um evento pode ser um culto a maconha. Cultuar a maconha, a vida e as amizades. A delícia dos laços que temos. Revi muitos amigos. Me emocionei. Ri bastante. Sabe quando você está no momento de felicidade e solta a frase “estava precisando disso!”. A feira foi exatamente assim.
É isso. A Head Grow nos relembra que a maconha não é só a maconha. Nunca foi. A proibição nos uniu com várias pessoas. Nos fez ter diversos encontros lindos e verdadeiros. Resistir também passa por um caminho de afeto entre as pessoas. Afeto teve de sobra.
Por fim, alguns pequenos ajustes precisam ser feitos. Pontuais. Não vou cita-los. Não é do meu feitio expor as pessoas. Falo no off. Quem organizou, sabe onde precisa melhorar.
Nota 10 nos 10 anos. Viva a Head Grow, as amizades, os afetos e a maconha!







