Cuidado como escolha política

Qual deve ser o papel do Estado diante da relação das pessoas com as drogas?
Cuidado como escolha política


Quando o assunto é uso de drogas, a abordagem do Estado pode vir pelo viés do cuidado ou da repressão. A Redução de Danos (RD) faz parte da primeira escolha. É uma diretriz que prioriza a dignidade e autonomia das pessoas e propõe reduzir os riscos relacionados ao consumo de substâncias por meio do acesso à saúde, à informação e ao acolhimento. 

Destaco um projeto voltado à prevenção e ao cuidado em HIV e outras IST entre grupos historicamente afastados dos serviços de saúde. Há ainda experiências públicas em diferentes partes do país, como no Distrito Federal e no Acre, que incorporam a Redução de Danos em ações de saúde, proteção social e acesso a direitos, mostrando que essa abordagem pode atravessar diferentes políticas e serviços. 

São experiências distintas, no território, na formação, na incidência política ou por meio da tecnologia, que mostram como a RD pode se adaptar a diferentes formas sem perder de vista o que está no centro dessa abordagem. Depois de tantos anos participando desse debate, no Legislativo e junto a quem atua diretamente no campo, percebo que uma política sobre drogas só consegue produzir cuidado quando enxerga primeiro as pessoas. 

Apoiar a Redução de Danos, nas bases e nas leis, é fortalecer uma escolha pelo cuidado. E, como toda política que se pretende duradoura, precisa ser semeada, cultivada e protegida para produzir frutos no futuro.


Erik Torquato


FLORA URBANA 6 PÉS


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