1ª Marcha da Maconha de Saquarema faz história na Região dos Lagos

Marcha pioneira na cidade arrastou uma galera na famosa praia de Itaúna e fechou a etapa brasileira do campeonato mundial de surfe em grande estilo
marcha da maconha saquarema 2026


Essa edição de Saquarema, contou com diversos setores de trabalhadores da área da saúde, psicólogos, farmacêuticos, comerciantes, artesãos, palhaços, professores, pintores, motoristas, advogados, ciclistas, skatistas, crianças e até cachorros que acompanharam do início ao fim pelo bairro de Itaúna. O som foi sob comando da Dj Zazá que abriu o evento, embalou a oficina que aconteceu com as crianças até o microfone ser aberto para as falas dos ativistas.

Em quase uma hora de microfone aberto, foi falado sobre o negacionismo, pânico moral, chacinas e repressão como desdobramentos da proibição, a necessidade e aplicação prática das políticas já existentes de distribuição do medicamento pelo SUS, as diversas possibilidades de aplicações na construção civil, indústria têxtil, alimentícia e desburocratização para acesso ao tratamento (que hoje, no Brasil, em sua maioria ainda está reservado às pessoas com melhores condições financeiras) e por tanto, a urgência da reparação histórica.

marcha da maconha saquarema bloco planta na mente
Bloco Planta na Mente no esquenta da 1ª Marcha da Maconha de Saquarema. | Foto: Cannabis Monitor


Sob o tema “Natural é a planta, não a proibição”, o movimento na cidade surge da necessidade de ampliar o debate sobre política de drogas para além dos grandes centros, trazendo essa discussão para um território marcado por contrastes sociais e forte presença turística. Sobretudo em Saquarema, cidade marcada pelo conservadorismo, que apesar de ter muitos usuários, ainda são muito estigmatizados pelo uso.

A cidade do Rio de Janeiro foi o primeiro local no mundo a proibir a maconha em 1830 com a Lei do Pito do Pango –na época, cidade com uma das maiores concentrações da população negra no Brasil-, mostrando seu caráter evidentemente racista, aplicando, inclusive, pena mais pesada aos negros. A perseguição não ficou só aí, se estendeu aos praticantes da capoeira e religiões de matrizes africanas e também contou com o mau caratismo de José Rodrigues Dória, médico que consolidou o discurso higienista sobre a planta e os usuários.

Posteriormente, foram se desenvolvendo várias narrativas da maconha como “um problema social”. A Marcha vem justamente para romper com esse discurso anticientífico construído a 196 anos. Provocar e ocupar as ruas, se organizar é sair da passividade, além de ser uma das formas de nos colocarmos como autores e motores da realidade que queremos. Pelo acesso, autonomia, reparação e paz: que venham tantas marchas quanto forem necessárias.


marcha da maconha saquarema bloco planta na mente
Cortejo da Marcha da Maconha Saquarema 2026. | Foto: Cannabis Monitor


isabela matos


Agenda Canábica Social Weed
Compartilhe