Korja: o weed punk carioca que une humor e ativismo canábico lança novo disco

Maconhômetro Aperta o REC entrevista a banda Korja, que tá na praça com o disco "Prensado", recém-lançado pela Neves Records
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Banda Korja. | Foto: Divulgação

O mais recente episódio do podcast Maconhômetro Aperta o REC, apresentado por Marcio Makana, mergulhou no universo da banda carioca Korja, um quarteto de “weed punk” que tem conquistado espaço com sua sonoridade autêntica e letras engajadas.

Composta por Diego Goulart (vocal), Aninha Lage (baixo), Gilson Junior (guitarra) e Bacalhau (bateria), a banda conversou no episódio sobre sua trajetória, inspirações e o recém-lançado álbum “Prensado”, uma obra que retrata o cotidiano do maconheiro médio brasileiro.


A origem do Weed Punk e o cotidiano do maconheiro comum


Fundada em 2014, a Korja começou como muitas bandas de garagem, tocando covers de ícones do punk rock como Ramones e Misfits. No entanto, a ideia de criar um “weed punk” surgiu de forma orgânica. Diego Goulart, vocalista da banda, explica que a proposta era “contar o dia a dia do maconheiro comum… que é trabalhador, pega ônibus, vai para sua faculdade, vai pagar suas contas.”

Essa abordagem busca dar voz a uma realidade muitas vezes marginalizada, a do brasileiro que convive com o prensado e as consequências da proibição.


“Prensado”: um álbum com a identidade marolenta carioca e críticas ao proibicionismo


O álbum “Prensado” nasceu de um convite da Neves Records e teve seu nome concebido durante uma viagem da banda. Musicalmente, o disco é uma fusão de punk rock clássico com elementos de ska, rocksteady e surf music, resultando em uma sonoridade que reflete a identidade carioca da banda.

Gilson, guitarrista, destaca que o álbum foi uma oportunidade para compor novas músicas e fazer novas versões de músicas antigas “que a gente teve alguma questão que não gostou muito de uma gravação ou porque queria fazer um arranjo diferente.”

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Capa do disco “Prensado”, recém-lançado pela banda carioca de weed punk Korja. | Imagem: Divulgação


Além da sonoridade, “Prensado” se destaca pelas letras que, com humor e sátira, abordam a hipocrisia da proibição da maconha no Brasil. Gilson ressalta que o consumo da planta “é ilegal onde a polícia reprime os pobres, basicamente. É uma questão muito maior do que a maconha, é uma questão puramente de classe.”

A banda defende que a lei atual já não tem cabimento, e o baterista Bacalhau, ex-Planet Hemp e Autoramas, complementa que o Korja o proporcionou “musicalmente, politicamente e anarquicamente falando, de se posicionar como cidadão.”


Humor, leveza e a luta antiproibicionista


Apesar da seriedade dos temas abordados, a Korja opta por uma abordagem mais leve e bem-humorada em suas letras. Aninha Lage, baixista, explica que “no Korja as coisas ficam mais engraçadinhas, mais leves… por isso que tantas pessoas também curtem, porque a gente acaba não falando com tanta seriedade no assunto, apesar de ser um assunto super sério.”

Essa leveza, no entanto, não diminui o impacto da mensagem antiproibicionista da banda, que se manifesta em músicas como “Sem Maconha”, um grito de guerra contra o fascismo, a hipocrisia e a repressão.

Diego Goulart enfatiza a importância de desmistificar estereótipos: “A gente é punk, maconheiro, mas não é burro. É bom a gente deixar isso nítido para a sociedade que julga a gente por conta de fumar uma planta.”

A banda defende que a legalização da maconha traria benefícios sociais e econômicos significativos para o país e que o dinheiro arrecadado poderia ser revertido para áreas como saúde e educação.

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Bacalhau (bateria), Ana Paula Lage (baixo), Diego Goulart (vocal) e Gilson Jr (guitarra). | Foto: Divulgação

Acessibilidade e conexão com o público



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