Farmácias do Uruguai poderão vender Cannabis também para turistas 

País discute o acesso legal à Cannabis por estrangeiros como um novo movimento estratégico em um mercado de bilhões
Cannabis na farmácia Uruguai turistas


Mas, conforme explicou, e fez questão de destacar, o diretor executivo do IRCCA, Martín Rodríguez, a regulação uruguaia da Cannabis não foi criada para “promover um negócio”. 


“Ela nasceu da saúde pública, da segurança e dos direitos individuais. E o desenvolvimento do mercado existe como consequência da substituição de um mercado ilegal por um mercado legal”, disse em uma conversa exclusiva.


Fato é que hoje, os visitantes temporários não conseguem acessar a Cannabis por um canal legal no Uruguai. O modelo atual não contempla os turistas. Segundo Martín, a proposta em discussão é permitir que estrangeiros possam comprar uma das variedades de Cannabis que são oferecidas nas farmácias credenciadas do país.


“Estamos trabalhando nessa direção, embora ainda não possamos divulgar datas para quando irá começar. O Uruguai foi pioneiro com foco em saúde pública e liberdade individual, e agora surge a oportunidade de ampliar esse acesso também aos turistas, com o devido registro”.


Além disso, Martín acredita que a mudança pode ajudar inclusive no combate ao mercado paralelo. “Permitir que estrangeiros tenham acesso legal ajudaria a reduzir parte do mercado informal que ainda persiste”.


Clubes defendem participação no modelo turístico


Apesar da possibilidade de abertura via farmácias, parte do setor uruguaio acredita que limitar o acesso apenas a esse canal pode gerar gargalos. É o que afirma Rodrigo Fagúndez, proprietário da Arachanes Grow Shop em Montevidéu e responsável técnico de um clube canábico no país.

Segundo ele, turistas já conhecem a regulação uruguaia e muitos acabam recorrendo ao mercado informal.


“Hoje os turistas já entendem bastante bem como funciona a regulação no Uruguai. No começo eles acreditavam que também poderiam acessar legalmente, mas era explicado como funcionava. Mesmo assim, muitos conseguiam e ainda conseguem Cannabis no mercado informal”.

Cultivo em clube de cannabis no Uruguai
Cultivo indoor em clube de cannabis no Uruguai. | Foto: Divulgação


Para Rodrigo, liberar apenas as farmácias pode não resolver totalmente o problema. “Entendo que somente a farmácia não seja a melhor opção para o turista. Muitas vezes elas ficam sem estoque e o visitante acaba recorrendo ao mercado informal.”

Ele defende que os clubes canábicos também façam parte do modelo futuro. “Como dono de grow shop e responsável técnico de clube canábico, entendo que os clubes estão mais preparados para receber turistas. O ideal seria ter as duas opções para que o visitante possa escolher”.

Outro ponto, é em relação às desigualdades regionais no acesso:

“Se habilitarem apenas as farmácias, muitos departamentos (que são os estados do Uruguai) ficarão sem cobertura, porque há regiões onde não existem farmácias vendendo Cannabis. Já os clubes estão presentes em praticamente todo o país e oferecem mais variedades e qualidade”, finaliza.


O que está em jogo no Uruguai
cultivo uruguai clube flor
Cultivo em clube de cannabis uruguaio. | Foto: Divulgação


denise tamer


maconhometro
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