Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, Fernando de Noronha recebeu uma iniciativa inédita de atendimento voltado ao uso medicinal da cannabis. O projeto foi realizado pela Associação Brasileira de Estudos da Cannabis Medicinal (ABECMED) em conjunto com a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha, reunindo profissionais de saúde, ativistas e representantes de associações de diferentes estados do Brasil.
Durante cinco dias de atividades, foram realizados 67 atendimentos gratuitos, superando a meta inicial de 50 pacientes. Além das consultas médicas, o mutirão também contou com acolhimento da enfermagem, atendimento odontológico e orientações jurídicas, ampliando o suporte oferecido à população local.
Ao todo, mais de 300 moradores se cadastraram interessados em receber informações e acompanhamento relacionados ao tratamento com cannabis medicinal.
Atendimento multidisciplinar para a população da ilha
A equipe de saúde foi formada pelos médicos Dr. Paulo Vinícius, Dra. Juliana, Dr. Alexandre e Dra. Sâmara, além do atendimento odontológico realizado pelo cirurgião-dentista Dr. Diego. O acolhimento inicial e triagem dos pacientes contou com a atuação da enfermeira Jennifer, integrante da equipe da ABECMED.
A iniciativa teve participação ativa da própria diretoria da associação. Alexandre, presidente da ABECMED, e Vanessa, diretora da entidade, estiveram presentes acompanhando de perto as atividades e a organização do mutirão. O nome central para que tudo ocorresse bem do início ao fim foi o Dr. Ladislau, advogado que atua tanto junto à ABECMED quanto à Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha, contribuindo com orientações jurídicas e com a articulação institucional do projeto.
O atendimento ocorreu nos consultórios do hospital da cidade, espaço disponibilizado pela administração local para a realização das consultas.
Embora ainda não exista uma parceria institucional formal com a administração de Fernando de Noronha, a iniciativa recebeu receptividade da gestão da ilha. Após o sucesso da primeira edição, já foi firmado um acordo para que uma parceria formal seja estabelecida para a próxima etapa do projeto, prevista para acontecer dentro de aproximadamente três meses.

Apoio de associações de diferentes estados
A ação também recebeu apoio de organizações da sociedade civil que atuam na área da cannabis medicinal.
Estiveram presentes representantes da Associação Cannabis de São Paulo e da Associação Bendito Medicinal, do Espírito Santo, que contribuíram com apoio institucional e troca de experiências durante as atividades realizadas na ilha.
Outro destaque importante foi o papel da Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha, cuja representante Rebeca teve atuação fundamental na articulação local e no diálogo com as famílias da comunidade, bem como a Néia, outra mãe atípica que faz parte da associação e tem uma forte influência local.
Documentários e diálogo com a comunidade
Além dos atendimentos de saúde, o projeto também incluiu um momento de diálogo cultural e informativo com a população.
No espaço Galeria Noronha, foram exibidos os documentários “O Preço da Cura” e “Quanto Custa o Remédio do Meu Pai”, produções que abordam os desafios enfrentados por pacientes brasileiros no acesso ao tratamento com cannabis medicinal.
Após as exibições, foi realizada uma roda de conversa aberta com moradores da ilha, em um encontro marcado por relatos de pacientes, esclarecimento de dúvidas e discussões sobre o acesso ao tratamento com cannabis no Brasil.
A participação da comunidade mostrou o grande interesse local pelo tema e reforçou a importância de iniciativas que aproximem informação científica e atendimento médico da população.

Desafios do acesso à saúde em regiões isoladas
Apesar de ser conhecida internacionalmente como um destino turístico de luxo, Fernando de Noronha enfrenta desafios importantes relacionados ao acesso à saúde.
A distância do continente brasileiro dificulta a chegada de alimentos frescos, medicamentos e serviços especializados. Muitas vezes, tratamentos disponíveis em grandes centros simplesmente não chegam à ilha ou têm custo muito elevado para os moradores.
Nesse contexto, iniciativas como essa demonstram o potencial das associações de pacientes e da mobilização da sociedade civil para levar cuidado e informação a populações que historicamente enfrentam barreiras de acesso.
Quando a sociedade civil chega primeiro, o “trem anda”
Com o sucesso da primeira edição, a expectativa agora é que o projeto retorne à ilha em breve.
A próxima etapa deverá acontecer dentro de aproximadamente três meses, já com uma parceria institucional formal com a administração local, ampliando ainda mais a capacidade de atendimento e consolidando a iniciativa como um programa contínuo de cuidado em saúde para os moradores de Fernando de Noronha.







