Por décadas, drogas como o lsd e a psilocibina de cogumelos foram estigmatizadas. Hoje sabemos que esses símbolos da contracultura têm mostrado eficácia em estudos sobre depressão. O mesmo acontece com o mdma, usado para tratamento de estresse pós-traumático em testes experimentais. No Brasil, pacientes deprimidos tiveram bons resultados em ensaios com ayahuasca, e os dependentes de crack têm motivos para otimismo graças à ibogaína, droga sintetizada a partir de uma planta do Gabão. Há muito por descobrir sobre o uso terapêutico dessas substâncias, mas o renascimento psicodélico já é uma das áreas mais promissoras da pesquisa em saúde mental. Não à toa, o New York Times publicou uma matéria em maio deste ano com o seguinte título: “The Psychedelic Revolution Is Coming. Psychiatry May Never Be the Same” [A revolução psicodélica está chegando. A psiquiatria talvez nunca mais seja a mesma]. Ao mesclar relatos da própria experiência com essas substâncias ao perfil dos principais pesquisadores da área (estrangeiros e brasileiros), entrevistados diretamente pelo autor, Marcelo Leite oferece um panorama completo desse campo de estudo no qual ciência e humanismo caminham juntos. O livro recebeu prefácio do neurocientista Sidarta Ribeiro, que, junto a Luís Fernando Tófoli, Stevens “Bitty” Rehen e Dráulio de Araújo, compõe o grupo dos psiconautas brasileiros que guiaram Marcelo em suas explorações.